Renato Câmara empossou ontem os membros da Frente Parlamentar para o Desenvolvimento da Suinocultura.(Foto: Toninho Souza)

A criação da Frente Parlamentar Para o Desenvolvimento da Suinocultura é um passo decisivo para alavancar um novo cenário de crescimento na cadeia produtiva de suínos em Mato Grosso do Sul. A opinião é do deputado estadual Renato Câmara (MDB), coordenador e proponente do novo grupo de trabalho da Assembleia Legislativa. A posse dos 50 membros da frente aconteceu nesta quinta-feira, durante a primeira reunião do grupo.

Conforme o deputado, a implantação da frente representa a união de esforços em torno do objetivo de debater e implantar ações e políticas públicas que possibilitem a ampliação das instalações já existentes e favoreçam o desenvolvimento da suinocultura no Estado, alavancando a geração de emprego e renda na pequena propriedade rural e, consequentemente, movimentando a economia dos municípios.

“É um dia histórico na Assembleia Legislativa e para a suinocultura. Essa ação representa o fortalecimento do setor e chance de alavancá-lo em termos de crescimento sustentável. Nós estaremos juntos com vocês. Mas só seremos fortes com a participação de cada um, relatando os problemas, os gargalos e possíveis soluções, para que possamos avançar juntos. Vamos debater, ao longo das nossas reuniões, assuntos pertinentes ao desenvolvimento dessa atividade que tanto tem contribuído para MS”, explicou Câmara.

O parlamentar destacou que a Assembleia Legislativa tem instrumentos para auxiliar e apoiar a atividades do setor, como a fiscalização e criação e alteração de legislações afetas ao tema. “Estamos aqui para marcar o início de uma outra etapa na suinocultura sul-mato-grossense. Temos que quebrar barreiras, porque já somos eficientes dentro das porteiras. Temos que lutar por infraestrutura, logística, questões sanitárias e diminuição de tributos. Não existe uma fórmula pronta, existe possibilidade de construção”, enfatizou Renato Câmara.

O presidente da Assumas (Associação Sul-matogrossense de Suinocultores de Mato Grosso do Sul), Alessandro Boigues, destacou a importância da frente parlamentar para o setor. “Nosso setor vai contar muito com as ações desta Frente, trazendo oportunidades e soluções. Temos uma grande necessidade de aprimorar para agirmos fora das porteiras das propriedades. Sem representatividade parlamentar, não conseguimos produzir nada, dependemos de políticas públicas. Nosso setor só roda se tiver política engajada para atingirmos mercados diferenciados”, explicou.

Segundo ele, o grupo de trabalho tem muito a contribuir para que a suinocultura possa superar às barreiras e entraves legais que dificultam a vida do criador e dos agentes envolvidos na cadeia produtiva de suínos no Estado. “É um setor pujante e capaz de atender demandas internacionais. Temos condição de crescer de forma sustentável devido ao perfil do suinocultor, que produz em escala, com sustentabilidade ambiental, econômica e social, com alto padrão de biosseguridade, gestão e visão empreendedora. Muitos estão interessados em ampliar. Tenho convicção que a frente parlamentar será um instrumento transformador para o nosso setor”, finaliza o presidente da Associação.

A criação da Frente Parlamentar foi inspirada em outros grupos que já funcionam nas casas legislativas no Distrito Federal e também em outros Estados. O deputado estadual por Santa Catarina Altair Silva (PP) foi convidado a participar do evento e a compartilhar as experiências da Frente Parlamentar catarinense sobre o mesmo tema, da qual ele é coordenador. “Parabéns ao deputado Renato Câmara e a Assembleia Legislativa de MS pela iniciativa. Vocês têm tudo na mão, MS tem condições de ser um dos maiores produtores do país. O potencial aqui é ilimitado. Fico feliz que a semente do diálogo e das sugestões tenham frutificado e culminado nesta Frente Parlamentar. A suinocultura aqui já é um sucesso e vocês podem ir mais longe”, enalteceu o parlamentar.

Silva elencou pontos positivos que o Estado possui para desenvolver a atividade, entre eles o fato de Mato Grosso do Sul ser produtor de grãos – matéria-prima da ração responsável por alimentar o rebanho suíno. “Santa Catarina é o único estado da federação que precisa importar milho dos outros estados e vocês já tem isso aqui”, reforçou.

A Frente Parlamentar Para o Desenvolvimento da Suinocultura reúne 24 entidades ligadas à suinocultura, incluindo deputados, entidades representativas, instituições de crédito, cooperativas e universidades. Conforme a Asumas (Associação Sul-matogrossense de Suinocultores), Mato Grosso do Sul já abateu 2 milhões de suínos em 2019, ultrapassando os 1,8 milhão de 2018. O Estado caminha para se tornar um dos principais produtores de suínos do país. No ranking atual ocupa a 7ª posição entre os estados que se dedicam à suinocultura, com o objetivo de ser tornar o 4º maior produtor brasileiro nos próximos anos. O Estado deve fechar o ano produzindo cerca de 177 mil toneladas de carne suína, um aumento equivalente a 128% no período de 10 anos, resultado da produção crescente.