As ações para combater o COVID-19, foram e continuam sendo um pano de fundo para esconder a desastrosa administração pública de Campo Grande. As ações propostas para o combate ao Coronavírus na nossa Capital,  no meu ponto de vista foram e ainda estão equivocadas. O fechamento do comércio e a paralisação das atividades industriais e de serviços, irão provocar a maior crise da história  de Campo Grande, provocando desempregos em massa e uma quebradeira sem precedentes no setor empresarial. As demissões já começaram.

Desde o início da pandemia, onde se propagou a ideia do isolamento social, tenho defendido a continuidade de todas as atividades, desde que com rígido controle sanitário. Defendi a manutenção do transporte público, com lotação de 50% e higienização a cada hora de trabalho. Defendi a continuidade das atividades comerciais, com controle de acesso aos clientes e a higienização dos ambientes. Inclusive, até nas escolas, foi um erro a paralisação, pois  poderiam escalonar o dia sim e o dia não, onde elas poderiam continuar sua rotina com 50% da lotação.

lockdown, imposto para os setores, tirou de maneira leviana e irresponsável a condição da manutenção dos empregos, do faturamento das empresas e o equilíbrio, mesmo sabendo da queda das atividades, seria possível suportar uma queda do faturamento, mas na verdade houve faturamento zero e agora o futuro próximo haveremos de encontrar desempregos e muitas portas fechadas.

Não houve nenhuma manifestação por parte de executivo e do legislativo, em desonerar as contas públicas, para ajudar o cidadão. Entendo que a “Casa do povo”, também conhecida como Câmara dos Vereadores, deveria ter zerado as verbas de gabinete, com cortes substanciais nas despesas. Mas nada disso foi feito.

Também cito a necessidade de incentivar as compras e prestigiar o comércio local. As grandes redes de supermercados, farmácias e lojas de departamentos, têm recursos disponíveis e facilitados, enquanto o pequeno comércio dos bairros, tem maior dificuldade em obter dinheiro e crédito, então fica claro a necessidade de fazer circular as compras e as vendas nos pequenos comércios dos bairros.

Outro importante ponto de análise é o incentivo para as indústrias nacionais. O Brasil, já teve a maior indústria de brinquedos do mundo, a ESTRELA, já teve a maior indústria de confecção do mundo, a São Paulo Alpargatas. Já exportamos veículos através das montadoras de automóveis do grande ABC. Já tivemos o maior parque de calçados masculinos, em Franca SP. O parque fabril de calçados feminino no vale dos Sinos no Rio Grande do Sul. As maiores malharias do planeta, no estado de Santa Catarina. Na década de 90, houve um verdadeiro desmonte da indústria nacional. A força e o poder dos sindicatos laborais, sem perceber usaram a mão pesada, promoveram na verdade, um verdadeiro massacre e uma avalanche de direitos e assim tornou-se impossível manter as indústrias abertas por aqui. A consequência disso foi: a transferência quase que total para a China, pois lá como se sabe, a mão de obra é barata e sem o custo tributário sobre os salários e muita oferta de mão de obra.

A solução para médio e longo prazo é a revisão completa de todo o sistema tributário trabalhista, tributo sobre industrialização, comércio e serviço. Um incentivo para aquisição de novos maquinários, para a reativação de nosso sucateado parque industrial.

Não há outro caminho para seguir. É necessária a imediata reativação da indústria nacional para  geração de empregos e aquecimento do comércio interno. Ninguém consegue investir em um cenário onde o Estado explora de maneira vil aquele que insiste em fomentar a economia. É preciso dirigir um novo olhar para a indústria, para o comércio, o setor de serviços e o emprego. Nossos governantes devem fazer de tudo para desonerar a cadeia produtiva, para o Brasil voltar a crescer.

É também uma questão de justiça, usar a mão-de-obra dos encarcerados,  que passam de meio milhão de pessoas nos presídios. É preciso que eles trabalhem pelo próprio sustento. Além disso, não terão tempo para maquinar novos crimes.

É preciso combater com mão de ferro o desperdício do dinheiro público, precisamos rever todo sistema político administrativo. O povo deve fazer valer o seu direito. Exercer a cidadania e não terceirizar as suas ações. Tem que fazer valer a pena ser brasileiro.

*Empresário em Campo Grande e líder do Movimento Energia Cara Não