Impossível suportar a gritaria da Gretalândia Brasileira, da imprensa sensacionalista e muito menos o oportunismo dos carcarás da política, sedentos pela carniça dos últimos acontecimentos no Pantanal.

Todos já deram sua participação no espetáculo e agora façam-nos a fineza de se recolher aos seus proverbiais sectarismos e incompetências e nos deixar tratar daquilo que realmente interessa: as  consequências para os seres humanos que habitam o Pantanal, sua economia, seu modo de vida e seu futuro.

Parece perda de tempo, a esta altura, ficarmos dando atenção aos aloprados de plantão e aos notórios aproveitadores.

O Pantanal foi palco de grandes e médias enchentes nos últimos trinta e cinco anos, e, no momento atravessa uma longa estiagem que, se prolongada, irá se transformar em grande seca.

Nesse cenário de grandes eventos climáticos, torna-se necessária uma política abrangente que alcance seres humanos, flora e fauna visando minorar os efeitos dos rigores da Natureza.

Entretanto, os governos, em todos os níveis, precisam despertar para a realidade pantaneira neste novo contexto mundial, em que os fatos não se restringem a um micro universo local, mas a todo o planeta quando se trata de questões do Meio Ambiente.

Existe uma cortina densa de fumaça envolvendo interesses econômicos estratégicos que buscam manipular governos e populações em todo o mundo.

O Pantanal, talvez por nossa própria culpa, se tornou um instrumento de pressão desses interesses globalistas, e não estamos manejando adequadamente essa realidade.

Pior, muitos brasileiros poderosos se aliaram a esse grande mecanismo, executando tarefas antipatrióticas, entregando de bandeja nosso potencial, comprometendo nosso futuro.

A única forma de enfrentamento dessa máquina diabólica será promover econômica e socialmente  a região pantaneira, integrando-a ao padrão socioeconômico do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, guardando as peculiaridades que a própria natureza e os seculares saberes de sua gente impõem.

Assim como o Brasil é credor da comunidade mundial de uma contrapartida pela conservação de seus recursos naturais em benefício da humanidade e ao mesmo tempo, todos têm de reconhecer a necessidade de prover a população amazônica dos recursos da civilização, aqui também no Pantanal, há que se pagar o preço do desenvolvimento sustentável.

Um programa realista que contemple a utilização dos recursos naturais disponíveis em benefício da comunidade local compatível com os reclamos da consciência ambiental, sem radicalismos dos ativismos verdes, pensado e construído aqui.

Seria o coroamento do processo singular de uma cultura que, por séculos, soube conservar quase como intocada a natureza aqui existente, e que por isso merece um mínimo do progresso necessário para seu desenvolvimento material.

“Integrar para não entregar” foi uma bandeira em relação à Amazônia, mas que se aplica a todo o território nacional e muito especificamente  ao visado Pantanal.

Devemos urgentemente pensar em como implementar infraestrutura mínima de transporte, comunicação e energia na planície pantaneira.

Há que se pensar em toda uma logística a ser implantada em apoio à produção e escoamento, de gente e produtos, em moldes locais, mas que atendam com dignidade sua população como pontilhões, algumas estradas tronco e acesso aos portos fluviais.

Flexibilizar e baratear o cumprimento da Legislação aeronáutica, para que as imprescindíveis aeronaves de pequeno porte possam voltar a incrementar os negócios legais e o atendimento da população rural.

Estimular a introdução de modernas tecnologias para a exploração sustentável dos potenciais naturais disponíveis.

Estancar e reverter o êxodo das famílias pantaneiras, detentoras dos ensinamentos tradicionais que sempre nortearam sua conduta frente à Natureza, implantando escolas rurais voltadas para a valorização desse conhecimento.

Dar um tratamento diferenciado aos contribuintes do Pantanal compensando as preocupações ambientais que impõe restrições de uso do solo.

Criar linhas de crédito para apoiar e viabilizar as atividades econômicas diferenciadas por conta de atendimento da rigorosa legislação ambiental impostas aos cidadãos pantaneiros.

Recuperar urgentemente a navegabilidade do Rio Taquari e dos mais de um milhão de hectares de terras produtivas deixadas ao abandono por absoluta falta de vontade política, e até de vergonha, de sucessivos governantes.

Dar consistência e deixar proprietários do Planalto e da Planície realizarem, sem maiores  interferências, os processos de Compensação Ambiental previstos no Código Florestal, tão adequado para a região, de maneira a se agregar mais um incentivo para viabilização econômica das atividades tradicionais.

Estes exemplos e sugestões de políticas públicas com certeza promoverão a fixação do Homem Pantaneiro, o verdadeiro guardião destas fronteiras.

Estas deverão ser as preocupações dos governantes, dos legisladores, da imprensa e de quantos amam com sinceridade o Pantanal.

O resto é o antipatriotismo de setores que vivem às custas das mazelas nacionais.

O País precisa reagir a esse criminoso avanço sobre nossas riquezas, que só será possível quando o cidadão perceber que o seu sacrifício e sua luta em prol da natureza lhe trarão o esperado benefício.

Manoel Martins de Almeida, produtor rural no Pantanal