ABUNDÂNCIA:  Em cada quarteirão ou família haverá um candidato a vereador neste Brasil de meu Deus. O brasileiro tem a mania de ‘maioral’, mas a fartura de candidatos não é indicativo seguro de evolução e o fim de praticas proibitivas.  Pesquisas mostram que dentre as razões para o ingresso na política está a compensação financeira. O grande número de candidatos que possamos ter, não garantirá a eventual melhora do nível que há muito tempo tem inspirado piadas e comparações pejorativas.  Não será por acaso se também neste pleito tivermos um alto índice de abstenções de votos para a vereança.

VERDADE:  Para o eleitor, da pequena, média e grande cidade, a escolha do vereador não é prioridade quando vai as urnas. É normal a escolha de última hora, sem critério ou motivação relevante. Simpatia, amizade e retribuição de favores pesam mais na escolha do que as qualidades como cultura, honorabilidade e caráter.  A culpa disso é de ambos. Primeiro – do eleitor que enxerga a vereança com descrédito; segundo – do próprio vereador que não zela e não contribui pela melhoria de sua imagem e da Câmara.

QUANTIDADE X QUALIDADE:  Culpa sadia da democracia que proporciona a todos segmentos sociais, ideologias e tendências apresentarem suas propostas de governo nos municípios. Em tese – quanto mais opções ao eleitor, melhor! Mais uma vez aqui em Campo Grande o eleitor não poderá alegar que nenhuma das alternativas lhe satisfaz. Pelo menos 14 candidaturas a prefeito anunciadas, proporcionando um leque de opções. Mas quantos ou quais dos possíveis candidatos tem condições de   administrar a capital?  Mais uma vez não seria a velha busca pelos holofotes?

GAVETAS. ‘Instituição’ nacional, no Judiciário, Legislativo e órgãos públicos em geral. É o caso do projeto contra o Foro Privilegiado, do senador Álvaro Dias (PR-PR) apresentado em 2013. Após 3 anos foi aprovado no Senado, está na Câmara há mais de 38 meses e engavetado após aprovado nas duas principais comissões. O tempo passa; políticos denunciados poderão ser beneficiados pela prescrição. Caso de Rodrigo Maia presidente da Câmara (DEM-RJ) (‘propinas Odebrecht’). Como diz Álvaro Dias: “o ‘foro privilegiado’ é um guarda chuva protetor dos malandros de colarinho branco”.

SEMPRE ASSIM.      Na hora agá eles se entendem. Quando o cerco contra o senador José Serra (PSDB) estava se fechando aparece o presidente do senado Davi Alcolumbre para pedir ao STF a suspensão das ações. Aí entrou em cena o ministro Dias Toffoli para atendê-lo de pronto.  O mais ‘interessante’ é que Serra alegou a prescrição amiga dos fatos, mas não entrou no mérito das provas do envio do dinheiro para o exterior. E mais:  a imprensa lembrando que em caso recente e idêntico contra o líder do Governo no Senado, Toffoli ordenou a busca e apreensão de documentos em seu gabinete.

SIMPLES ASSIM!  Os termos e pegadinhas do projeto da Reforma Tributária  dificultam o  seu entendimento. Pela nossa cultura tributária, desde o ‘Brasil Colônia’, parece que só haverá simplificação no cálculo dos impostos.  O Governo proporcionará maior pragmatismo, mas abrirá mão ou diminuirá a ‘mordida? Sairemos do fundo poço? Como acreditar com a gastança da máquina pública, do Judiciário e Legislativo? Os políticos torcem o nariz sobre isso. Aliás, jamais ouvi um político elogiar o vídeo na internet mostrando a simplicidade dos políticos no parlamento da Dinamarca.

‘PODER INDOLOR’:  Certeiras as ponderações do presidente da Federação das Industrias de MS – Sérgio Longen a respeito do projeto da Reforma Tributária. Cito aqui esse trecho: “… () …O único ponto em comum que os governadores tem nessa pauta é a unanimidade de propor aumento de imposto. Mesmo assim o ensejo da Reforma Tributária nos dá a necessidade de discutir o destino dos valores arrecadas com os impostos. A sociedade tem pouca participação nesse destino. O poder público, acaba não sentindo a dor do cidadão, do empresário.”

RUBEM ALVES: “As palavras só tem sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo e o mundo aparece refletido dentro da gente. São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver. Elas não tem saberes  a transmitir. No entanto, elas sabem o essencial da vida. Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança, jamais  será sábio.”

‘ESCOLHA DE SOFIA’:  Governantes inconsequentes sempre povoaram esse pais.  Estádios suntuosos (Copa), Vila Olímpica (Olimpíadas) e até um aquário (‘do Pantanal’) viraram prioridade prejudicado a saúde e a educação. Na outra ponta essa pandemia tem proporcionado situações frequentes nos hospitais, onde aos médicos cabem a dolorosa escolha do pacientes a serem internados ou salvos. Essa situação remete-nos ao filme ‘Escolha de Sofia’, onde a mãe (atriz Mary Streep) é obrigada pelos nazistas a escolher qual dos seus dois filhos seria poupado da morte.

SANEAMENTO: As notícias sobre o assunto passam despercebidas pela maioria dos leitores, mas o assunto merece espaço aqui. Veja o ranking das 20 cidades com melhor saneamento: Santos, Franca, Maringá, São José do Rio Preto, Uberlândia, Piracicaba, Cascavel, São José dos Campos, Ponta Grossa, Vitória da Conquista, Limeira, Campinas, Londrina, Taubaté, Suzano, Campina Grande, Curitiba, Niterói, São Paulo e Petrópolis. O pior: 17% dos brasileiros não são abastecidos com água; 48% sem coleta de esgoto; 59% sem esgoto.  A maioria das cidades de MS longe da situação desejada.

GARANTIDO NÔ! Tamanho não é documento. Quem não é o maior tem que ser o melhor. Esses dois adágios populares são aplicáveis a Akira Tsuboi que aos 82 anos é o atual vice prefeito de Bataguassu. Seu currículo:  Fotógrafo, iniciou na política como vereador em Três Lagoas pela Arena em 1970. Após 3 mandatos chegou à Assembleia Legislativa em 1978 pelo MDB cumprindo 7 mandatos. Suplente na Câmara Federal foi titular em2013 e 2014 na vaga de Edson Girotto (MDB).  Esse é o Akira!

‘NA INTERNET’: “O poder econômico está no agronegócio, 40% do PIB contra 14,5% da indústria. O petróleo? Caminha para o funeral…Cadê o poder dos sindicatos, da mídia tradicional e do MST? Só uma empresa  de energia solar no norte de Minas vai gerar até 2022 a metade de Itaipu sem dinheiro público….O poder mudou de mãos! Mesmo com a pandemia o agro continua crescendo. O Brasil que está crescendo não é socialista. Não está no Rio e nem em São Paulo… Vejam o projeto ferroviário em andamento…A Embrapa, criada pelo general  estrategista Geisel, é pura tecnologia em seus 41 centros de pesquisa cheios de PHDs…Acordem! O poder mudou de mãos.”

ALELUIA!  O embate entre Governo e Câmara resultou na vitória da educação com a aprovação  do Fundeb (criado em 2007 e com final previsto para 31 de dezembro deste ano). Com isso haverá condições de diminuir a desigualdade social e aumentar os atuais 10% do Governo para 23% a partir de 2026, dos quais 5% serão destinados ao ensino infantil.  Os 77% restantes serão de responsabilidade dos Estados e municípios.   Apesar dos pesares, das trombadas e trocas de ministros da Educação, o atual Governo está fazendo aquilo que o PT estando no poder não conseguiu fazer.  Correto?

A PROPÓSITO:   Falei com o deputado Gerson Claro (PP), sobre a consolidação do Fundeb. Professor por formação, ele têm convivência frequente com os profissionais da educação e os problemas do setor. Não escondeu seu entusiasmo lembrando que o Fundeb concentra mais de 60% dos recursos da educação básica, é responsável pelo atendimento escolar em mais de 70% dos municípios.  Lembrou ainda que 45 milhões de estudantes dependem do fundo para ter acesso a educação.  Para ele, a consolidação do Fundeb será também um alívio aos municípios. ‘Vitória da educação’, finalizou.

.JUNTOS? A especulação fermenta o noticiário. O ex-juiz Sergio Moro disse em entrevista que Bolsonaro e Lula não tem agenda anticorrupção. Opinião que revela pretensões políticas. Já o ex-ministro da Saúde Luiz H. Mandetta (DEM) é outro personagem que deixou o Governo em alta e que já admite disputar o Planalto. Mas ambos teriam penetração na mesma faixa do eleitorado. Os dois precisarão saber ocupar o espaço político até lá. Conseguirão? Mas pergunto: mas dependendo das costuras e do cenário – os dois não poderiam estar juntos? Especular é preciso. Faz parte.

PONTO FINAL:  “…( ) Vivemos hoje em uma sociedade de risco. A riqueza é concentrada, mas os perigos são compartilhados. O tempo é de medo, confinamento, incerteza, vulnerabilidade, emergência. Estamos diante de estremos – o melhor e o pior de nós. Esta pode ser uma oportunidade de um novo estar no mundo. O processo, gerado pelo vírus acelerou as assimetrias e os egoísmos do velho mundo? Ou vai nos fazer entender que estamos no mesmo barco diante da mesma tempestade. Guimarães Rosa já dizia: !Viver é perigoso”. Juntos experimentaremos a vulnerabilidade e chegaremos a tempo de renascer e da valor a vida humana…” (Alfredo Fedrizzi)

“Que crise? Que crise? Deputados e senadores recebem o 13º adiantado.” (No facebook)