Um caso que já mobiliza as esferas cível e criminal ganhou novos desdobramentos em Dourados. A advogada Tayla Campos Weschenfelder, responsável por representar grande parte dos investidores que alegam ter sido prejudicados pelo Grupo ICA (ICA Bank Soluções Financeiras), denunciou ter se tornado alvo de ameaças, intimidações e campanhas de difamação após descobrir e judicializar uma suposta manobra societária que, segundo ela, buscava impedir a recuperação dos valores investidos pelas vítimas.
O escândalo teve início após investidores deixarem de receber os repasses prometidos em aplicações apresentadas como investimentos de renda fixa. Inicialmente, a empresa teria atribuído a interrupção dos pagamentos a uma suposta auditoria e limitações impostas pelo Banco Central.
No entanto, de acordo com a advogada, diligências realizadas junto à autarquia federal resultaram na obtenção de documentos que descartariam essa justificativa. Segundo ela, os ofícios demonstram que não havia qualquer restrição regulatória que impedisse os repasses aos investidores e que a empresa estaria atuando fora do sistema regulado pelo Banco Central.
A situação ganhou novos contornos após a divulgação de uma Ata de Assembleia Geral Extraordinária realizada em 12 de junho. Conforme os documentos anexados aos processos judiciais, a reunião teria ocorrido sem a participação ou convocação dos investidores afetados.
Segundo a defesa das vítimas, a ata revela uma reestruturação que previa a dissolução da filial responsável pelos pagamentos, a transferência da sede da empresa para Santa Catarina e a migração compulsória dos recursos retidos para um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).
Ainda conforme o documento, a operação estabeleceria que essa transferência representaria uma "quitação irrevogável" das obrigações da empresa, medida interpretada pelos investidores como uma tentativa de extinguir débitos milionários sem o consentimento dos credores.
Após a judicialização da questão, Tayla Campos Weschenfelder afirma ter passado a sofrer retaliações por parte de representantes ligados ao grupo empresarial. Entre as denúncias apresentadas estão abordagens a clientes, tentativas de descredibilizar sua atuação profissional e ameaças veladas.
De acordo com a advogada, interlocutores vinculados à empresa passaram a afirmar que ela estaria “inflamando” a situação e que seria “acionada na hora certa”, o que motivou preocupações com sua segurança pessoal. A profissional relata que chegou a alterar rotinas e trajetos diários por receio de possíveis represálias.
Diante da gravidade dos fatos, a advogada protocolou um pedido de providências junto à Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS), por meio da subseção de Dourados.
Em nota, Tayla afirmou que as intimidações representam uma tentativa de constranger o exercício da advocacia e dificultar a defesa dos investidores lesados.
“A tentativa de criminalizar o exercício regular da advocacia e coagir uma profissional por meio de terror psicológico é a prova máxima do desespero de quem foi desmascarado documentalmente. Não estamos lidando com um mero descumprimento de contrato, mas com um esquema complexo de dilapidação patrimonial. A advocacia não vai se acovardar diante de ameaças de quem tenta usar o medo como escudo para a impunidade”, declarou.
O caso segue sob análise da Justiça e das autoridades competentes, enquanto a OAB/MS foi acionada para acompanhar a situação e garantir as prerrogativas profissionais da advogada. Até o momento, não há manifestação pública dos representantes do Grupo ICA sobre as acusações.
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