O Hospital Regional Dr. José de Simone Netto realizou, pela primeira vez em sua história, um procedimento de captação de órgãos humanos, consolidando um importante avanço na área da saúde em Ponta Porã e região de fronteira.
A doadora foi uma mulher de 32 anos, diagnosticada com morte encefálica. Em um gesto de extrema solidariedade, a família autorizou a doação de todos os órgãos, possibilitando que pacientes da fila nacional de transplantes tenham uma nova chance de vida.
A operação mobilizou equipes especializadas e enfrentou desafios logísticos. Devido às condições climáticas adversas, a aeronave que transportava os profissionais de saúde não conseguiu pousar em Ponta Porã, sendo redirecionada para Dourados. A equipe seguiu por terra até o hospital, onde o procedimento foi realizado durante a madrugada.
Autoridades locais acompanharam a ação. O prefeito destacou o caráter histórico da iniciativa, ressaltando a estrutura do hospital e o apoio do Governo do Estado e do município. O médico e vice-prefeito, Patrick Derzi, enfatizou que, apesar da perda, o gesto representa a possibilidade de salvar outras vidas e ampliar a conscientização sobre a importância da doação de órgãos.
O diretor técnico da unidade, Antônio Martinussi, também ressaltou a atitude da família da doadora, destacando a importância de incentivar esse tipo de decisão, mesmo em momentos de dor. Segundo ele, o hospital demonstra estar plenamente capacitado para realizar procedimentos dessa complexidade.
Estrutura e avanço na rede de transplantes
O feito é resultado de investimentos e melhorias estruturais no hospital, que há mais de 30 anos atende a população da região. Recentemente, a unidade passou a contar com capacidade técnica para realizar o diagnóstico completo de morte encefálica, seguindo protocolos rigorosos e exames específicos.
Com isso, Ponta Porã passa a integrar a rede estadual de captação de órgãos, atuando em conjunto com a Central de Transplantes de Mato Grosso do Sul e fortalecendo a identificação de doadores na região de fronteira.
O processo de captação envolve uma atuação integrada de equipes multiprofissionais, incluindo profissionais de UTI, médicos intensivistas, enfermeiros especializados e a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), responsável pelo acolhimento das famílias e condução de todo o procedimento.
O marco reforça não apenas a evolução da estrutura de saúde local, mas também a importância da conscientização sobre a doação de órgãos como um ato capaz de salvar vidas.
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