Vídeos que circulam nas redes sociais mostram cenas de extrema violência contra o indígena Marciano Gonçalves Ramires, de 21 anos, na Aldeia Amambai, em Mato Grosso do Sul. As imagens registram o jovem sendo agredido com socos, chutes e submetido a descargas elétricas por integrantes de um grupo conhecido na comunidade como "Segurança Indígena".
Segundo familiares, Marciano foi capturado após ser acusado de furtar uma vaca de uma propriedade rural localizada nas proximidades da aldeia. O grupo responsável pela abordagem seria composto por cerca de dez integrantes, que atuariam armados com equipamentos de choque e cassetetes, sob a justificativa de manter a ordem dentro da comunidade indígena.
Moradores da região afirmam que a atuação do grupo teria o consentimento do capitão da aldeia, o professor e pastor Flaviano Franco. De acordo com relatos, ele teria dado autonomia aos integrantes da chamada Segurança Indígena para intervir em conflitos e ocorrências envolvendo moradores da comunidade.
A agressão teria ocorrido na última sexta-feira (5). Conforme denúncias, a ação foi liderada por Oswaldo Sanches, conhecido como "Chipa'i". Outros participantes que aparecem nas gravações teriam sido identificados como Rogério Rossati, Silvio Rossati e Oswaldo Espíndola.
Ainda segundo os relatos, Marciano foi amarrado e submetido às agressões por um período antes de ser encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Amambai.
A prisão, no entanto, foi revogada posteriormente por decisão judicial. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul expediu um alvará de soltura, garantindo a liberdade do jovem.
Após deixar a custódia, Marciano foi encaminhado ao Hospital Regional de Amambai para realização de exame de corpo de delito. De acordo com o laudo inicial, teriam sido constatadas apenas escoriações leves na região do tórax. A família, entretanto, questiona a avaliação médica e afirma que o jovem retornou para casa vomitando sangue e sem receber tratamento adequado.
"Não me deram nada para tomar, não me aplicaram nada. Estou sentindo muita dor e mal consigo andar", relatou Marciano.
O pai do jovem afirma que o filho permanece debilitado, com dores intensas e comportamento apático. Segundo ele, o tratamento tem sido feito apenas com remédios caseiros. "Quase mataram meu filho e queremos justiça", declarou.
A reportagem tentou contato com o capitão Flaviano Franco para comentar as acusações, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O boletim de ocorrência relacionado à prisão de Marciano também não estava disponível para consulta da imprensa.
O caso deverá ser encaminhado às autoridades competentes para apuração das denúncias de agressão, possível tortura e eventual atuação irregular do grupo de segurança dentro da aldeia.
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