A noite deste sábado (25) transformou a Vila Olímpica da Reserva Indígena de Dourados em um epicentro de celebração e afirmação cultural. Em sua edição de 2026, o concurso Miss e Mister Indígena coroou novos representantes em um evento que transcende a estética, consolidando-se como um dos principais atos de resistência e orgulho das etnias Terena, Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul.
Entre os 20 finalistas que subiram ao palco, dois jovens da Aldeia Jaguapiru foram os grandes vitoriosos da noite. Victtor Franco Ramos Bertolino, de 16 anos, da etnia Terena, foi eleito o Mister Indígena 2026. Com uma postura que equilibra a juventude e o respeito às tradições de seu povo, Victtor agora carrega a responsabilidade de representar a beleza masculina das aldeias locais.
Já o título de Miss Indígena ficou com Ana Caroline Moreira Marques, de 23 anos. Da etnia Guarani, a jovem destacou em seu discurso a dimensão política de sua nova função. "Espero ser voz para todo o povo indígena", afirmou Ana Caroline, reforçando que o título é, acima de tudo, uma plataforma para dar visibilidade às demandas e à cultura de sua comunidade.
O desfile foi marcado pelo rigor estético dos trajes típicos, onde o grafismo corporal e os acessórios ancestrais foram os protagonistas. Cada detalhe nas vestimentas dos candidatos narrava a história e a identidade específica de suas etnias, criando um diálogo visual entre o passado e o presente.
Além da passarela, a Vila Olímpica — espaço histórico de integração entre as aldeias Jaguapiru, Bororó e Panambizinho — abrigou barracas de artesanato e apresentações culturais. O público, formado majoritariamente por moradores da própria Reserva, acompanhou com entusiasmo cada etapa da competição, reafirmando o evento como um momento de coesão social para as famílias locais.
Brô MC's: O Som da Retomada
Um dos pontos altos da noite foi a apresentação do grupo Brô MC's. Pioneiros do rap indígena no Brasil, os músicos Guarani e Kaiowá trouxeram ao palco a potência de suas letras, que misturam a língua nativa ao português para denunciar desigualdades e exaltar a vida nas aldeias.
Formado em 2009 e com projeção internacional, o grupo simboliza a modernidade da resistência indígena, provando que a cultura ancestral e a arte urbana caminham lado a lado.
A realização do concurso contou com uma rede estratégica de parcerias, evidenciando a relevância do evento para as políticas públicas de cultura e saúde. O apoio da Fiocruz, do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e da Secretaria Municipal de Cultura de Dourados, por meio do FIC (Fundo de Investimento à Cultura), garantiu a infraestrutura necessária para a magnitude da festa.
O evento Miss e Mister Indígena reafirma que, para além da beleza, o que se cultiva na Reserva de Dourados é a manutenção viva da identidade de um povo que se recusa a ser silenciado.
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