O dia: 17/03/1991. O local: Estádio do Café. A cidade: Londrina/PR. A competição: Campeonato Brasileiro da Série B. O jogo: Londrina x Ubiratan. Lá estávamos pela Rádio Clube de Dourados eu de narrador e meu compadre Antonio Coca de repórter. O que era pra ser apenas mais uma transmissão esportiva ao vivo terminou como uma verdadeira epopeia.
Naquela época as transmissões eram feitas pelo que se chamava LP. Um tipo de linha específica em que no Mato Grosso do Sul era fornecida pela Telems e fora do Estado pela Embratel. Mas, Londrina ainda tinha outra peculiaridade: a Sercomtel - (Serviço de Comunicações Telefônicas de Londrina) uma autarquia municipal.
Ou seja, para chegar até aos estúdios da rádio em Dourados, o som passava pela Sercomtel, depois pela Embratel e, finalmente, pela Telems. Tinha tudo pra dar errado: e deu. Pra resolver o problema o pessoal lá de Londrina achou uma solução que acabou funcionando, mas rendeu boas risadas e divertiu a torcida, que comparecia em grande número ao estádio, por causa da boa campanha do time da casa na competição.
Os técnicos instalaram um telefone fixo na cabine pra mim e pro Coca lá no campo um “badisco”: um aparelho portátil que permite testar linhas telefônicas analógicas e ramais de PABX diretamente nas redes geralmente colocadas nos postes de iluminação.
Como aquela era a época de os repórteres usarem fios pra reportagem volante, lá foi o Coca para o gramado com o aparelho grudado em mais de 100 metros de fios duplos. Nós fizemos a transmissão do jogo do jeito que deu. Mas a torcida não perdoou e foi o jogo todo gritando pra ele: “ou, liga lá em casa”, “liga pra sua mãe seu FDP”, “enfia esse telefone no r...”, e outras ‘cositas más’.
Ah e o jogo? O Ubiratan disparou na frente fazendo 2 a 0 e calando a torcida local. Mas (sempre tem um mas) no segundo tempo o Londrina virou pra 3 a 2 com uma apresentação de gala de um jovem centroavante que depois viria a ser convocado para a Seleção Brasileira e se consagrou no poderoso Bayern de Munique: Élber.
E pra nós, além da aventura e de mais uma história pra contar, restou encarar 500 km de estrada no caminho de volta.
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